2025-05-26
Prisão perpétua: será desta?
2025-04-30
Substituição
2025-04-14
Imigração e criminalidade – Afinar critérios
2025-04-07
Imigração e criminalidade – A neutralidade informativa da inexistência de dados
2025-03-27
Imigração e criminalidade – A importância da recolha e tratamento de dados
2025-03-25
Sentimentos
2025-02-15
No room for firewalls
Ontem, na Conferência de Segurança de Munique, o Vice-Presidente dos EUA, J. D. Vance, proferiu um discurso memorável. Foi o discurso certo, no local certo, dirigido aos alvos certos.
Começou por
salientar que a maior ameaça à segurança da Europa não vem da Rússia, da China,
ou de outro actor externo, mas de dentro de si própria, e traduz-se no retrocesso
dos valores democráticos que nela se verifica.
Desenvolvendo
esta ideia, J. D. Vance recordou, às elites políticas europeias, coisas
elementares sobre o que é a democracia.
A saber:
Sem
liberdade de expressão, não há democracia.
Sem
liberdade de imprensa, não há democracia.
Democracia
não é compatível com a perseguição de cidadãos por delitos de opinião.
Democracia
não é compatível com o cancelamento de eleições quando o resultado destas não
agrada ao poder político instalado, como aconteceu recentemente na Roménia e um
antigo comissário europeu ameaçou que poderá acontecer na Alemanha dentro de
uma semana.
As elites
políticas europeias não podem divorciar-se dos povos europeus, nem ter medo
deles.
Não tem
legitimidade democrática quem censura a opinião política divergente e põe os
seus opositores na prisão, sejam estes o líder de outro partido, um cidadão que
expressa a sua opinião ou um jornalista que pretende fazer o seu trabalho.
Democracia
não é compatível com o cancelamento de partidos políticos, ou com «cordões sanitários» em torno de
partidos políticos que recebem votos tão legítimos quanto os dos restantes.
A imigração
em massa de pessoas não europeias, fomentada pelas elites políticas europeias
sem legitimação popular, constitui uma ameaça aos povos da Europa.
Enfim, uma enorme pedrada no charco, a que deu gosto assistir.
A comunicação social sistémica diz que J. D. Vance veio à Europa para a atacar. Nada disso. Aquilo que senti foi um abraço de J. D. Vance aos povos europeus. O que deixou as elites políticas europeias furiosas.
2025-02-01
Imigração e criminalidade – Quem tem medo da verdade?
A razão do enorme incómodo que o tema da
possibilidade de estabelecimento de uma relação entre a vaga de imigração que
actualmente se verifica em vários países da Europa ocidental e o aumento da criminalidade
provoca a algumas pessoas é, evidentemente, o seu melindre político. Se se
concluísse que aquela relação existe, seria questionada, com argumentos
acrescidos, a política que tem sido seguida em Portugal em matéria de imigração
nos últimos anos. Na hipótese contrária, ruiria parte importante do
argumentário de quem critica tal política, pugnando por uma outra, mais restritiva.
Não há como fugir a isto.
Não obstante, o elefante permanece no meio da sala.
Também não há como continuar a fazer de conta que ele lá não está.
O tema tem, pois, de ser abordado, mas
no plano próprio: o da análise objectiva da realidade criminal actual em
Portugal. Esta emergência convoca todos aqueles que possam dar um contributo
válido para a discussão. Sem preconceitos, seja em que sentido for. Só pode
adquirir conhecimento quem a tanto se dispõe. Para tanto, não pode iniciar o
percurso com preconceitos. O pré-entendimento que cada um tenha terá de ceder
perante factos que não o corroborem. E a disponibilidade para aceitar seja que
conclusão for tem de ser total. Sem isto, não é possível um debate sério sobre
o tema.
Quantos estariam dispostos a fazê-lo? A
entrar no jogo de forma séria, predispondo-se a aceitar o resultado, qualquer
que ele seja? Era isso que eu gostaria de saber.
Na arena política, aquilo que vejo, de
um e outro lado, é gente entrincheirada e de armas apontadas ao inimigo. À mínima
oportunidade, disparam. Afinal, dificilmente poderia ser de outra maneira. A
política é o que é. Não é, seguramente, a sede própria para o debate que se
impõe.
A academia seria, em princípio, o palco privilegiado para se investigar esta temática e debater desapaixonadamente os resultados dessa investigação. É também para isso que existem universidades. Mais, é essencialmente isso que distingue uma verdadeira universidade de uma simples escola.
Interrogo-me, porém, sobre se a academia se encontra, hoje, em
condições de o fazer. Concretamente, se o acolhimento de um estudo que
concluísse que a vaga de imigração que, nos anos mais recentes, se abateu sobre
Portugal, vem determinando um aumento da criminalidade, seria idêntico ao de um
outro que chegasse à conclusão oposta. Duvido muito. Duvido mesmo muito.
2025-01-26
Valores de Portugal? Cultura de Portugal? Não sei o que é, nunca ouvi falar…
Ana Catarina Mendes, deputada do Partido Socialista no Parlamento Europeu, em entrevista à SIC-Notícias no dia 24.01.2025:
«Eu
não sei o que é isto dos valores nacionais, dos valores de Portugal, da cultura
de Portugal.
Eu
sei o que é o artigo 15.º da Constituição da República Portuguesa, que diz que
os cidadãos estrangeiros têm os mesmos direitos e os mesmos deveres.
Eu
sei o que é o respeito pelos direitos humanos, em que todos nós devemos ter.
Eu
sei o que é o respeito por um Estado de Direito, onde a lei se aplica e é igual
para todos, sejam nacionais, sejam estrangeiros.
Portanto,
essa ideia de aculturação é uma ideia perigosa da direita.»
Não podia deixar de guardar esta pérola no Meu Monte, para memória futura.
2025-01-20
A «Reforma Penal Casa Pia» segundo o Director Nacional da Polícia Judiciária
Uma parte interessante desta intervenção do Director Nacional da Polícia Judiciária foi omitida pelos jornais. Transcrevo-a:
«Eu
apanhei, como director, no início da minha carreira como dirigente, o «Código
de Processo Penal Pós Casa Pia», 15 de Setembro de 2007, em que se levou à libertação
de muita gente, e que, a partir daí, 2008, 2009, foram anos de grande
actividade criminosa violenta.
Eu vou apenas dizer aqui os números, desde 2005:
2005:
15.000 crimes. 2006: 13.000-14.000. 2010: 24.500 crimes violentos. 2011:
24.000. Depois, começou a baixar, até que andamos agora na ordem dos 12, 13,
14.000.»
Como director de uma polícia, Luís Neves sabe bem do que fala. Escrevi, em devido tempo, acerca dos mais que previsíveis efeitos negativos da malfadada «Reforma Penal de 2007», também conhecida, por razões óbvias, por «Reforma Penal Casa Pia», (link 1, link 2, link 3, link 4, link 5). Não me enganei nessas previsões.