2025-10-14
Imigração e criminalidade: Apurar a verdade para quê?
2025-09-14
Imigração e criminalidade – As manobras de diversão
2025-04-14
Imigração e criminalidade – Afinar critérios
2025-04-07
Imigração e criminalidade – A neutralidade informativa da inexistência de dados
2025-03-27
Imigração e criminalidade – A importância da recolha e tratamento de dados
2025-03-25
Sentimentos
2025-02-01
Imigração e criminalidade – Quem tem medo da verdade?
A razão do enorme incómodo que o tema da
possibilidade de estabelecimento de uma relação entre a vaga de imigração que
actualmente se verifica em vários países da Europa ocidental e o aumento da criminalidade
provoca a algumas pessoas é, evidentemente, o seu melindre político. Se se
concluísse que aquela relação existe, seria questionada, com argumentos
acrescidos, a política que tem sido seguida em Portugal em matéria de imigração
nos últimos anos. Na hipótese contrária, ruiria parte importante do
argumentário de quem critica tal política, pugnando por uma outra, mais restritiva.
Não há como fugir a isto.
Não obstante, o elefante permanece no meio da sala.
Também não há como continuar a fazer de conta que ele lá não está.
O tema tem, pois, de ser abordado, mas
no plano próprio: o da análise objectiva da realidade criminal actual em
Portugal. Esta emergência convoca todos aqueles que possam dar um contributo
válido para a discussão. Sem preconceitos, seja em que sentido for. Só pode
adquirir conhecimento quem a tanto se dispõe. Para tanto, não pode iniciar o
percurso com preconceitos. O pré-entendimento que cada um tenha terá de ceder
perante factos que não o corroborem. E a disponibilidade para aceitar seja que
conclusão for tem de ser total. Sem isto, não é possível um debate sério sobre
o tema.
Quantos estariam dispostos a fazê-lo? A
entrar no jogo de forma séria, predispondo-se a aceitar o resultado, qualquer
que ele seja? Era isso que eu gostaria de saber.
Na arena política, aquilo que vejo, de
um e outro lado, é gente entrincheirada e de armas apontadas ao inimigo. À mínima
oportunidade, disparam. Afinal, dificilmente poderia ser de outra maneira. A
política é o que é. Não é, seguramente, a sede própria para o debate que se
impõe.
A academia seria, em princípio, o palco privilegiado para se investigar esta temática e debater desapaixonadamente os resultados dessa investigação. É também para isso que existem universidades. Mais, é essencialmente isso que distingue uma verdadeira universidade de uma simples escola.
Interrogo-me, porém, sobre se a academia se encontra, hoje, em
condições de o fazer. Concretamente, se o acolhimento de um estudo que
concluísse que a vaga de imigração que, nos anos mais recentes, se abateu sobre
Portugal, vem determinando um aumento da criminalidade, seria idêntico ao de um
outro que chegasse à conclusão oposta. Duvido muito. Duvido mesmo muito.
2025-01-18
Imigração e criminalidade
Para combater a
criminalidade, nas suas múltiplas vertentes, todos os dados a ela referentes
são preciosos, sem excepção. Não se pode combater aquilo que não se conhece.
Quanto maior for esse conhecimento, mais eficaz poderá ser a acção. É assim com
a criminalidade, como o é com a restante realidade. A ignorância nunca trouxe
benefícios.
A este propósito, aqui lamentei, em 2007, 2008, 2011
e 2012 (link 1, link 2, link 3, link 4, link 5), a escassez de estudos sobre criminalidade em
Portugal. Tal escassez persiste. E, o pouco que há, não tem a divulgação que
merece, atenta a importância do tema.
Porém, não nos limitámos a não melhorar
naquilo em que já estávamos mal. Num aspecto, piorámos deliberadamente ao longo
dos últimos anos. Passámos do «não sei»
para o «não sei, nem quero saber».
Alguns, vão mesmo mais longe: não sabem, não querem saber, terão eventualmente
raiva a quem sabe e, seguramente, têm muita raiva a quem quer saber.
Tenho, obviamente, em vista um dos «temas proibidos» pelos novos «polícias da palavra», herdeiros não assumidos dos cavalheiros do lápis
azul do tempo do Estado Novo: se é possível estabelecer uma relação entre as
vagas de imigração que têm assolado vários países da Europa ocidental nos anos
mais recentes, nomeadamente Portugal, e a criminalidade.
Trata-se de uma temática
importantíssima, que não pode ser varrida para debaixo do tapete, seja procurando
silenciar quem a pretenda conhecer desatando imediatamente a chamar-lhe «xenófobo», «racista», «fascista», «extremista» e outros «projécteis verbais» que essa gente tem
sempre na ponta da língua, pronta para disparar sobre quem com ela não faça
coro, seja tentando «arrumar» sumariamente
a questão com fundamentação tão «ao lado»
que devia envergonhar quem a ela recorre. A questão coloca-se
inexoravelmente. Não é possível continuar a ignorar o elefante no meio da sala.
2012-09-19
Reincidência, essa desconhecida (2)
Li, há tempos, um artigo da jornalista Valentina Marcelino, publicado no Diário de Notícias de 20.06.2012, sobre um problema grave que aqui tenho abordado recorrentemente desde há vários anos: a inexistência de estudos credíveis sobre a criminalidade em Portugal - LINK.
2011-08-01
Avaliação da eficácia das leis – 2
O critério decisivo para avaliar se uma lei é boa ou má, eficaz ou ineficaz, só pode ser o da sua adequação à realidade social que visa regular. Tratando-se de uma lei penal, as vertentes fundamentais por que passa aquele juízo são duas: manutenção de níveis de criminalidade baixos com respeito pelos direitos fundamentais. O equilíbrio entre estas duas vertentes constitui o ideal de qualquer sistema penal de um Estado de Direito Democrático. De forma muito simplificada, descurar a primeira é cair no laxismo; descurar a segunda equivale a enveredar pelo securitarismo.
A esta luz, um bom ponto de partida para a avaliação do actual Código Penal seria comparar os níveis de criminalidade de 1982 com os dos anos ulteriores, até à actualidade.
Depois, seria só avaliar coisas básicas como, por exemplo:
- O efeito inibidor da reincidência (em sentido amplo) de cada uma das diversas espécies de penas que aquele código estabelece (sobre este assunto, já aqui escrevi);
- Se o regime cada vez mais generoso (para o condenado, claro está) da liberdade condicional produz algum efeito ressocializador ou, em vez disso, serve apenas para ir aliviando a pressão sobre um sistema prisional com um permanente problema de sobrelotação;
- Se o também generoso (mais uma vez para o condenado) regime do cúmulo jurídico de penas produz o efeito ressocializador que os seus defensores lhe atribuem, ou não passa, afinal, de mais um expediente para reduzir o tempo de prisão;
- Enfim, se a crença aparentemente ilimitada na possibilidade de ressocialização do delinquente (entenda-se, de todos os delinquentes, sem excepção), que está na base de opções legislativas em matérias fundamentais, tem correspondência na realidade da vida ou, ao contrário, não passa de uma falácia em que alguns ingenuamente acreditam e outros fingem acreditar com objectivos bem prosaicos mas politicamente difíceis de assumir.
Os resultados de uma tal avaliação, se esta fosse digna desse nome, seriam certamente interessantes. Lá teriam de ir mais algumas bibliotecas para o lixo, provavelmente.
2011-07-31
Avaliação da eficácia das leis – 1
O discurso da Ministra da Justiça contém uma ideia interessante, aliás reiterada em entrevista posteriormente concedida: «todas as leis do Estado necessitam de avaliação da sua eficácia». O contexto desta afirmação consta da mensagem anterior.