2026-08-23
As animadas madrugadas da periferia de Lisboa
2026-08-16
Ceuta, cidade invadida.
2024-10-24
2024-10-23
2024-10-22
Motins na Amadora e em Oeiras
O que foi noticiado:
Na madrugada de 21.10.2024, Odair Moniz conduzia um veículo
automóvel na Avenida da República, Amadora. Ao ver um veículo da PSP, pôs-se em
fuga, entrando no Bairro da Cova da Moura. Foi perseguido pelo veículo da PSP. Na
fuga, embateu em diversos veículos que se encontravam estacionados. Após
imobilizar o veículo que conduzia, prosseguiu a fuga a pé, pelas ruas do bairro, tendo sido perseguido pelos agentes da PSP. Estes dispararam para o ar, mas o fugitivo não
parou. Os agentes da PSP tentaram detê-lo, mas o fugitivo opôs-se e tentou
agredi-los com uma arma branca, após o que foi baleado numa axila e acabou por
morrer no hospital para onde foi transportado. O agente da PSP que atingiu Odair
Moniz foi constituído arguido.
Quem parece já saber tudo o que se passou:
A associação «SOS Racismo»
já emitiu o seu julgamento. A culpa é, obviamente, do agente da PSP que
efectuou o disparo. A motivação apontada pela «SOS Racismo» é a previsível: racismo. Está em causa «uma cultura de impunidade» nas polícias,
afirma aquela associação. Para se atrever a proferir tão peremptória sentença, certamente a «SOS Racismo» já conseguiu apurar factos
que o público e as próprias autoridades, que irão proceder a um inquérito, ainda
desconhecem. Bem podia partilhar esse conhecimento.
O que está a acontecer:
Na noite de 21, foram incendiados vários contentores de lixo no Bairro do Zambujal, onde Odair Moniz residia. Várias paragens de autocarro foram destruídas. Quando os bombeiros tentaram entrar no bairro, foram corridos à pedrada.
Na noite de 22, um autocarro que fazia o seu percurso habitual pelo interior do Bairro do Zambujal foi interceptado por um grupo de indivíduos. Estes, após fazerem o condutor e os passageiros saírem, incendiaram o autocarro, que ardeu por completo. Posteriormente, foi incendiado um segundo autocarro, na Portela de Carnaxide. Um veículo da PSP foi atingido por um «cocktail molotov».
Os canais de televisão estão há horas a fazer «directos» dos locais onde os motins
ocorrem.
Neste momento, interessa-me apenas registar os factos. A seu tempo, escreverei sobre tudo isto.
2024-10-21
Prisões: por que ponta pegar?
O sistema prisional de um
país não passa de um elemento, fundamental é certo, do sistema de justiça
penal. Deve, por isso, ser configurado de forma a adequar-se ao cumprimento dos
fins que a lei penal aponta à pena de prisão.
Por aquilo que aqui afirmei,
o Direito Penal português precisa de ser repensado, se se quiser que ele volte
a ser levado a sério. O que, a acontecer, teria de se repercutir sobre a
configuração do sistema prisional.
Porém, não podemos estar à
espera disso, desde logo porque é altamente improvável que haja lucidez, saber,
vontade e coragem para empreender tal tarefa. O estado deplorável a que o poder
político deixou o sistema prisional chegar impõe urgência na tomada de medidas «mínimas» que evitem que este entre em
ruptura.
Por onde pegar, então, neste
imenso problema?
Por aquilo que se mostre
necessário em qualquer quadro jurídico-penal. A saber, aumentar a capacidade do
sistema prisional, reforçar a segurança das prisões e melhorar substancialmente
as condições em que os reclusos cumprem as suas penas. Ou seja, construir novas
prisões, adequadas às actuais exigências, e reabilitar as existentes. E com
urgência. Para mais quando o encerramento do Estabelecimento Prisional de
Lisboa, que é o que alberga o maior número de reclusos em Portugal, está para
breve.
Já não existe margem para mascarar
o problema com os truques habituais. A evolução
da criminalidade no nosso país não se compadece com a reiteração da concessão
de medidas de clemência, ou com sucessivas alterações legislativas de pendor
laxista, entenda-se, cada uma mais laxista que a anterior. Laxismo sobre
laxismo só poderá conduzir à falência do Estado enquanto garante da segurança
pública e protector dos mais fracos contra a violência dos mais fortes. Quando
o Estado recua no combate ao crime, é este que avança, ocupando o território por
aquele deixado livre. Em vez disso, impõe-se reafirmar a autoridade do Estado, com
a maior firmeza possível.
2024-08-29
A descrença na justiça penal
Parece-me que, em Portugal, estamos
muito perto disto.
O nosso sistema
jurídico-penal não é para levar a sério e, efectivamente, não o é.
Não tanto por causa de
questões como as escutas, a violação do segredo de justiça ou outros que, quem
pode, coloca na agenda político-mediática de tempos a tempos, em função das
peripécias que vão ocorrendo numa dúzia de processos judiciais mais mediatizados.
Fora dessa bolha, o cidadão
comum, que não reside nem trabalha em «zonas
protegidas» e tem de se deslocar diariamente em transportes públicos, tem
um justificado sentimento de descrença na justiça penal e a não menos
justificada convicção de que a severidade da punição fica geralmente muito
aquém da gravidade do crime e de que, mesmo quem comete crimes graves, não
passará muito tempo na prisão.
Sentimento e convicção estes que, como é sabido, levam a que as vítimas não denunciem a prática de inúmeros crimes. Quanto maior for a descrença na justiça penal, maior será a percentagem de crimes não denunciados, falseando as estatísticas sobre a criminalidade. Isto para gáudio de quem tem governado Portugal ao longo das últimas três/quatro décadas, que, à indisfarçável realidade, sempre opôs números que com esta pouco tinham a ver, assim negando a existência de problemas ao nível da criminalidade, por mais óbvios que estes fossem. É um círculo vicioso: descrença no sistema penal – aumento das cifras negras – maior desfasamento das estatísticas sobre criminalidade em relação à realidade – ausência de medidas de combate à criminalidade – aumento da criminalidade… e voltamos ao princípio.
Do lado dos criminosos, existe um generalizado sentimento de impunidade, de que aqui falei repetidamente ao longo dos anos e que só tem aumentado. Cada vez há mais criminosos, que fazem o que lhes apetece. Isso vê-se nas ruas, nos bairros, nos transportes públicos. Com frequência, entra-nos casa adentro, literalmente. Já nem o Governo escapa.
2024-08-22
O que vale um polícia?
Desenvolvendo uma das ideias presentes nesta mensagem: para a manutenção da segurança pública, mais que a simples presença policial em determinado local, importa o regime jurídico em cujo quadro a polícia actua.
A presença de polícia nas ruas é, obviamente, indispensável para a manutenção da segurança pública. Contudo, o valor de cada polícia variará na exacta proporção, por um lado, da credibilidade que merecer o sistema jurídico-penal que ele representa e, por outro, da operacionalidade das normas que regulam a sua actuação. Cada polícia vale, em enorme medida, por aquilo que representa e por aquilo que a lei lhe permite fazer.
Se o sistema jurídico-penal
não for credível, se não for levado a sério pela comunidade, outro tanto
acontecerá com o polícia, que não será respeitado, mas sim desprezado, gozado, enxovalhado,
desafiado e, inclusivamente, ofendido na sua integridade física por membros
daquela que sejam menos dados ao cumprimento da lei.
Se as normas que regulam os
termos em que o polícia deve praticar os actos próprios da sua função,
nomeadamente as relativas ao uso da sua arma de serviço, não se adequarem às
necessidades da vida real, o resultado será idêntico, ou ainda pior, pois a
própria vida daquele poderá ficar em risco.
Se estas hipóteses se
verificarem cumulativamente, cada polícia, por muito competente e empenhado que
seja, pouco mais será que um homem ou uma mulher que veste uma farda e carrega
uma arma que tem, muito justificadamente, medo de usar, ficando, assim, à mercê
de qualquer meliante, que não se sujeita a regras e não limita a sua actuação
por qualquer tipo de escrúpulos.
Nestas circunstâncias, nunca
haverá polícias suficientes. Se o sistema jurídico-penal que eles representam
não merecer credibilidade e o condicionamento legal da sua actuação não for ajustado
às necessidades da vida real, nem com um polícia por metro quadrado será
possível manter a segurança nas ruas.
2008-07-17
Segurança
Onde anda o Governo? Sempre que há um problema na sociedade portuguesa o Governo espera que ele passe e como nada – mas nada – há que não passe... passará. A que custo? O que é preciso fazer para tirar o Governo das doses de Xanax que o mergulham numa letargia profunda sempre que há um problema?
Há tanta coisa a fazer: basta começar por ter bom senso e falar verdade. Os problemas estão diagnosticados, é só dar-lhes os antibióticos adequados. Deixar uma sociedade doente e em tensão sem tratamento, à espera que a doença passe, pode levá-la ao coma profundo.
Texto integral: LINK
2008-07-15
2008-07-14
Malditas filmagens
Violência urbana
2008-07-13
Oeste em Loures
É o resultado de sinais desastrosos que foram dados pela recente alteração das leis penais, desvalorizando o necessário exercício da autoridade democrática do Estado.